domingo, 4 de setembro de 2011

Pilates


Pilates: corpo malhado sem musculação

De uma barriga mais definida ao autocontrole, passando por músculos firmes, fortes e alongados, ótima postura, articulações mais saudáveis, melhor capacidade de respiração e maior tolerância ao stress. Ufa! Não é à toa que o pilates conquista novas adeptas a cada dia

Por Olga Penteado

Movimentos elegantes

Respire e solte todo o ar, sentindo seu abdômen encolher ao máximo — como se o umbigo fosse colar nas costas — e as costelas fechando em direção ao centro. Sua barriga fica retinha, a cintura afina. Pena que dure só até a próxima respiração! Você pode, porém, preservar esse momento mágico para sempre ao praticar o pilates, um método de condicionamento físico criado na Alemanha na década de 20. Seja nos aparelhos inventados por Joseph Pilates — estruturas de madeira e metal, com molas e tiras de couro — como nos movimentos feitos no chão — técnica conhecida por mat pilates —, os músculos são trabalhados duplamente, ou seja, são tonificados e alongados ao mesmo tempo, mas dentro do limite de cada praticante.

"Os corpos treinados pelo método são fortes, alongados, flexíveis e saudáveis. A postura melhora muito e os movimentos se tornam elegantes", garante Alice Becker, instrutora e proprietária do Physio Pilates, estúdio em Salvador (BA).


Silhueta nova em três meses


Tanto em aparelhos como no solo, o pilates é uma ginástica livre de impacto e que respeita a individualidade. "Os aparelhos servem para posicionar as alunas iniciantes e, ao mesmo tempo, para desafiar as experientes. Em grau avançado, por exemplo, a ginástica pode ser feita em um trapézio acoplado a um dos aparelhos", diz Vany Giannini, fisioterapeuta e sócia-proprietária do Physio Sport Pilates. No solo, os exercícios exigem ainda mais da praticante, que tem de controlar sozinha o seu corpo. "O trabalho, porém, também pode ser facilitado com o uso de equipamentos como bolas e elásticos", fala Sandra Tófoli, professora de pilates da academia Fórmula, de São Paulo.

Por dar ênfase à correção postural e ao bom alinhamento das articulações, o método é indicado também para o tratamento de lesões na coluna, joelhos e ombros, entre outras.



Abdômen forte comanda o corpo

A base do método é o centro de força, composto principalmente pelos músculos do abdômen, região lombar, quadris e glúteos. O centro de força permanece contraído, dando sustentação para movimentação solta, fluida, das pernas e braços. "Temos que controlar o centro de força durante toda a aula, pois é ele que mantém estável a coluna vertebral, evitando lesões", explica Alexandre Von Ajs, coordenador de pilates da Velox e professor da Estação do Corpo, academias no Rio de Janeiro (RJ).

"Para fazer os movimentos, a aluna tem que estar atenta, concentrada. Por isso, dizemos que a mente também está presente na ginástica", diz Cristina Abrami, instrutora e sócia-proprietária do CGPA. "Com o treinamento, o cérebro registra as informações e a postura exigida para os exercícios é assimilada automaticamente no dia-a-dia. A barriga fica lisinha e a cintura afinada para o resto da vida", garante a professora, lembrando também que o posicionamento correto da coluna protege de lesões e dores. Mulheres que já malham estão procurando o método para trabalhar o abdômen.



Prática mexe com as emoções


Segundo Pilates, que estudou técnicas orientais como a ioga para desenvolver seu método, o centro de força controla não só os movimentos do corpo como as emoções. "A adepta fica mais centrada, nos dois sentidos, físico e mental", diz Cristina Abrami. Outro fator que interfere no bem-estar é o controle da respiração, fundamental para manter a postura durante os exercícios. "A respiração adequada também ajuda a combater o stress, pois acalma a mente e controla a agitação", fala Vany Giannini.



Pilates estava à frente do seu tempo

Visionário e autodidata, Pilates nasceu em 1880, na Alemanha, com vários problemas de saúde, entre eles o raquitismo. Inconformado com sua condição física, passou a pesquisar técnicas de ginástica para desenvolver seu corpo. Os estudos levaram à criação de seu método, uma mescla de técnicas orientais, que privilegiam o alongamento, a concentração e a interiorização, e ocidentais, que enfatizam a construção de músculos. Para garantir a execução dos movimentos, ele criou aparelhos de apoio (foto abaixo). Em 1923, partiu para Nova York e abriu um estúdio para aplicar seu método. Seus clientes eram sobretudo os bailarinos com lesões provocadas pela dança. Quando morreu, em 1968, cinco discípulos levaram o método para outras cidades dos EUA. A técnica, porém, só se popularizou nos anos 90, quando as pessoas passaram a procurar um trabalho diferenciado de corpo, que propiciasse resultados estéticos mas não prejudicasse a saúde.



Revista Boa Forma



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